segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Inconsistência

E mais uma vez eu caminho pela estrada da dor e da inconsistência do ser. Às vezes parece que minha agonia não terá fim algum, se eu fosse tema de desfile, seria mórbido, chocante e agonizante. Agradeço a meu cérebro por me privilegiar com pensamentos tão intransigentes e sonâmbulos.
Ser raso é simples como pegar o telefone e magoar um coração encorajado, mas eu temo mostrar a face da verdade e machucar a mentira alheia por tempo definitivo que me leve ao estábulo dos mortos.
Tenho sede de entranhas e pendente paixão profunda pela profundidade pessoal. Quem me olha vê qualquer, mas quem me consome tenta encontrar a diferença talvez forçada que remete a tempos antigos de minha opressão, opressão que pode interferir diretamente na evolução do espírito de maneira degenerativa, falo do meu eu, de um eu confuso e ambulantemente metamorfósico, criado para o consumo e livre arbitrado para uma vida de pensamentos e sonhos. Hoje sou eu, amanhã posso ser outro, me rasgo a massa de pensar e abomino a não-verdade, se quem está aqui não está disposto a se abrir, minha influência, agora externa, se torna inútil e, sendo inútil, procedo afogado na minha insustentável inconsistência do ser...

5 comentários:

  1. Olá,
    Parabéns pelo blog! Estou seguindo.
    Segue lá também..

    http://estanteseletiva.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Ótimo! Você escreve muito bem! A gente sente e se emociona com suas linhas, como se acontecesse comigo o que está escrito...

    Criei um conto no meu blog, e lancei uma proposta: outros autores, leitores, escritores... ajudarem a criar o final desta história. O que você acha? Gostaria de fazer parte neste conto?

    http://devaneiosedesvarios.blogspot.com/2011/09/o-alto-da-montanha.html

    ResponderExcluir
  3. Poucas coisas são tão complicadas quanto "abominar as não-verdades" e ao mesmo tempo tentar não ferir a mentira alheia.
    Me irrito com superficialidades, me frustro. Principalmente com as minhas próprias, que às vezes se fazem presentes. Isso é o que me oprime...
    Não sei se o meu desfile seria mórbido, mas certamente não seria belo ou interessante.
    Se todos paracem pra pensar no caso, veriam que têm algo também de inconsistente.

    Foi um bom texto e uma útil influência.

    ResponderExcluir
  4. olá Lucas!!
    muito obrigado por visitar meu blog!!
    pela primeira vez desembarco por aqui e posso te dizer que gostei muito do que li!
    seus textos lembram os meus em uma época um pouco deprê minha! muito simbolismo, muitas sugestões, e claro, questionamentos!
    cara, talvez seja bom abominar a não verdade, mas não garanto que a transparência nos dê vantagem! lembre-se que através de um vidro qualquer um pode enxergar o outro lado, e infelizmente, tirar proveito disso!
    mas eu entendo, sou contra uma sociedade opaca, se é que me compreende...

    abraços, boa semana!!
    songsweetsong.blogspot.com

    ResponderExcluir

Comentários são úteis e inúteis, faça o seu...